Documentação das Ferramentas

Referência completa dos módulos do VigiForensic AI: o que faz cada ferramenta, em que base científica assenta, como interpretar os resultados e quais as limitações. Cada análise indica sempre se foi gerada com IA ou em modo básico (determinístico, sem IA).

Conceitos Transversais

Modo IA vs Modo Básico

Cada resultado indica o modo de geração. 🤖 Análise com IA: gerada por IA generativa (Claude) — interpretação semântica profunda, mas conteúdo indicativo que deve ser validado criticamente. ⚙ Modo Básico: análise determinística baseada em métodos determinísticos documentados (sem IA) — ativa-se automaticamente quando a IA está indisponível, ou manualmente via Modo Privacidade. Ferramentas puramente algorítmicas (hashes, OSINT) não usam IA em nenhum modo.

Modo Privacidade 🔒

Activável no botão de escudo da barra lateral (ou como alternativa no consentimento RGPD). Quando ativo, os dados não são enviados a modelos externos de IA; as ferramentas usam métodos determinísticos documentados. Consultas OSINT a fontes públicas continuam dependentes de autorização explícita e da política aplicável. Indicado para matérias sob segredo de justiça ou quando a política interna proíbe transferências para fora da UE. A transcrição de áudio fica indisponível neste modo (o motor Whisper é externo).

Cadeia de Custódia com Âncora Server-Side

Ao registar uma evidência, o SHA-256 é calculado no dispositivo e ancorado no servidor com timestamp próprio (ISO/IEC 27037:2012 §7) — o registo não é alterável a partir do cliente. Os relatórios PDF emitidos são igualmente ancorados. A verificação futura faz-se por recálculo do hash e confronto com o registo: coincidência demonstra que o ficheiro não sofreu qualquer alteração.

Base científica — FIPS PUB 180-4 (SHA-256); ISO/IEC 27037:2012; RFC 3227.

Validação Científica e Revisão Humana

Regra transversal: todos os scores são instrumentos de triagem. Não são probabilidades calibradas, não estabelecem fraude, possíveis sinais de integridade, culpa, crédito ou risco individual e não podem fundamentar sozinhos uma decisão com efeito significativo. Cada resultado exige revisão humana documentada.

Métricas e confiança

Quando uma ferramenta não tiver estudo de validação versionado no contexto de utilização, a plataforma declara “heurística não calibrada” e não apresenta sensibilidade, especificidade, FPR, FNR, AUC ou probabilidade. A confiança indica apenas suficiência técnica da entrada; não mede a verdade da conclusão.

Para validação futura — conjunto de teste independente e representativo, protocolo pré-registado, tamanho/amostragem, precisão/recall/especificidade com intervalos de confiança, curva de calibração, análise por subgrupos e auditoria periódica de drift.

ELA e Metadados de Imagem

ELA observa padrões de recompressão JPEG e metadados descrevem o ficheiro, não a intenção do autor. O score é não calibrado como probabilidade de manipulação ou fraude. Um perito deve confrontar o original, cadeia de custódia, formato, edição legítima e contexto do sinistro.

Deepfake de Voz

A análise espectral atual é uma heurística de triagem, não um classificador validado de deepfake. Codec, ruído, reamostragem e voz natural podem produzir os mesmos artefatos; a ausência de sinais não exclui síntese. Uma conclusão exige comparação forense e um método avaliado para a população, idioma e canais em causa.

AML, Transações e Benford

Benford só é interpretável em universos adequados e com dimensão suficiente; desvios podem resultar de limites operacionais, preços tabelados, agregação ou seleção da amostra. Alertas são diligências para análise AML e nunca uma acusação, nem uma decisão de bloqueio automática.

KYC Documental

Metadados, produtor PDF e campos de autoria são indicadores fracos de proveniência. Não verificam elementos físicos, MRZ/chip, UV/IR, emissão ou revogação. A plataforma exige validação por especialista e fontes oficiais antes de aprovar, rejeitar ou reportar um documento.

Análise Jurídica e Criminológica

A IA e regras determinísticas servem para estruturar leitura e localizar pontos a confirmar. Artigos, jurisprudência, factos e conclusões devem ser confrontados com a peça integral e com fontes oficiais vigentes. O resultado não substitui patrocínio jurídico, perícia ou decisão judicial.

Seguradoras — 8 ferramentas

Triagem técnica de sinistros: imagem, localização, participações e fatores que justificam diligências adicionais, sem conclusão automática de fraude.

Indicadores de Risco em Sinistro (Imagem)IA + Algorítmico

Analisa fotografias de sinistros: Error Level Analysis para detectar recompressão localizada (zonas editadas), metadados EXIF (software de edição, datas, GPS) e produz score 0-100 com rascunho técnico criminológico.

Base científica — ELA (Krawetz, 2007); ISO/IEC 17025; CAIF Red Flags; CP Arts. 217.º/219.º/256.º.

Interpretação — Os intervalos ELA apresentados servem apenas para ordenar a revisão interna e não são limiares validados de manipulação ou fraude. Compressão, redimensionamento, capturas de ecrã e plataformas podem produzir padrões semelhantes; o original e o contexto devem ser examinados por profissional competente.

Limitações — ELA é menos fiável em imagens muito comprimidas ou capturas de ecrã; a ausência de EXIF não prova manipulação (redes sociais removem metadados).

Verificação de GeolocalizaçãoIA + Algorítmico

Confronta as coordenadas GPS da imagem com o local declarado do sinistro: distância geodésica (haversine), plausibilidade geográfica e coerência temporal dos metadados.

Base científica — WGS84/haversine; ISO/IEC 27037; DL 72/2008 Art. 100.º (dever de participação verdadeira).

Interpretação — uma diferença relevante entre GPS e local declarado é um indicador técnico a confirmar; pode resultar de metadados incorretos, edição legítima, relógio/dispositivo ou contexto de aquisição. A ausência de GPS é inconclusiva.

Análise de Participação de SinistroIA

Avalia a credibilidade do texto da participação: linguagem evasiva, pressão financeira, detalhe insuficiente, valores redondos, atraso na participação e equilíbrio narrativo.

Base científica — CBCA/SVA (Steller & Köhnken, 1989); Triângulo da Fraude (Cressey, 1953); SCAN (Sapir, 1987); Lei de Benford; IFB Portugal (2023).

Limitações — indicadores de credibilidade não são detector de mentira; a valoração final cabe ao analista (e, em juízo, ao julgador — CPP Art. 127.º).

Análise de Declarações (Contradições)IA

Compara múltiplas declarações do mesmo sinistro: contradições diretas (datas, horas, valores), inconsistências internas, convergências suspeitas (relatos decorados) e omissões.

Base científica — CBCA; Reality Monitoring (Johnson & Raye, 1981); Forensic Linguistics (Coulthard & Johnson, 2007).

Estimativa de DanosIA (visão)

Analisa fotografias de danos e estima a coerência entre os danos visíveis e o valor reclamado, identificando desproporções.

Limitações — estimativa indicativa por imagem; não substitui peritagem presencial para valores significativos.

Perfil de Risco do TomadorIA + Algorítmico

Estrutura fatores do processo — valor reclamado, historial, tipologia e contexto — para diligência humana. Não calcula uma probabilidade calibrada nem produz decisão automática sobre o tomador.

Base científica — ISO 31000:2018; seleção adversa/risco moral (Akerlof, 1970); scoring GLM (Artís, Ayuso & Guillén, 2002).

Cross-Check de DadosAlgorítmico

Validação determinística de NIF (dígito de controlo), email (sintaxe/MX) e telefone português — assinala dados inválidos ou inconsistentes que devem ser confirmados.

Análise Documental (PDF)IA + Algorítmico

Assinala metadados, atualizações incrementais, datas e software de produção que podem justificar exame documental adicional; não confirma falsificação ou autenticidade.

Base científica — ISO/IEC 27037; ACFE Fraud Examiners Manual; CP Art. 256.º.

Bancos — 6 ferramentas

Compliance e prevenção de fraude financeira: KYC, phishing, risco de IP, AML e deepfakes.

Verificação KYC de DocumentosIA + Algorítmico

Analisa documentos de identidade submetidos em onboarding: integridade digital, metadados e indícios de adulteração para priorizar diligências. O resultado é sempre uma triagem com revisão humana obrigatória — não aprova, rejeita, bloqueia nem reporta automaticamente.

Base científica — ICAO Doc 9303 (elementos de segurança, dígitos MRZ); PRADO (registo europeu de documentos autênticos); Lei 83/2017 Arts. 23.º-28.º, 50.º.

Limitações — análise digital do ficheiro; não substitui a confirmação do original, MRZ/chip, elementos físicos (UV/IR, guilloché), emissor, revogação, titularidade ou diligência devida. A ausência de anomalias não confirma possíveis sinais de integridade; indicadores técnicos requerem contraditório e validação por especialista.

Análise de PhishingIA + Algorítmico

Avalia emails suspeitos: urgência manipulativa, links encobertos, remetentes falsificados, engenharia social; parecer com enquadramento criminal.

Base científica — MITRE ATT&CK T1566; APWG; Lei 109/2009 Arts. 3.º-4.º; CP Art. 221.º (burla informática).

Risco de IPIA + Algorítmico

Reúne indicadores técnicos de um IP de acesso — proxy/VPN/TOR, hosting e geografia — para revisão no contexto do caso. O IP, por si só, não identifica uma pessoa nem determina risco individual.

Base científica — MITRE ATT&CK T1090.003 (multi-hop proxy); NIST SP 800-63B; PSD2 EBA/GL/2018/07; listas FATF/UE (países de risco).

Timeline AML (Transações)IA + Estatístico

Analisa extratos à procura de padrões de branqueamento: structuring/smurfing (valores logo abaixo dos limiares), layering (valores repetidos), round-tripping e não-conformidade estatística.

Base científica — FATF 40 Recommendations; Lei 83/2017 Art. 43.º; teste χ² de Benford (Nigrini, 2012 — df=8, α=0.05); Egmont Group Typologies.

Interpretação — Um valor χ² acima do limiar estatístico pode indicar falta de ajuste à distribuição de Benford apenas quando a população é elegível. Não demonstra fabrico, branqueamento ou structuring; padrões de montantes exigem análise temporal, operacional e contextual independente.

Triagem de Manipulação de VozAlgorítmico (DSP)

Análise espectral do áudio: artefatos de síntese, descontinuidades espectrais e assinaturas típicas de vozes geradas por IA.

Limitações — geradores recentes produzem áudio cada vez mais limpo; resultado é indício, não prova — corroborar com verificação de canal (callback).

Análise Documental BancáriaIA + Algorítmico

Verificação de documentos financeiros (comprovativos, extratos): metadados, edição posterior e coerência interna.

Advogados — 7 ferramentas

Análise jurídica assistida: processos, defesa, credibilidade de depoimentos, cronologias, risco e jurisprudência.

Análise de ProcessoIA

Extrai de peças processuais: partes, factos-chave, alegações centrais, pontos críticos para a defesa, lacunas e cálculo automático de prescrição por tipo de crime.

Base científica — Forensic Linguistics; CP Arts. 118.º-120.º (prescrição com moldura penal mapeada); CP Art. 202.º (qualificação por valor, 50/200 UC).

preparação jurídica assistidaIA

Estrutura questões jurídicas e pontos a confirmar a partir das acusações e do processo. Não substitui análise integral, patrocínio forense ou definição de estratégia pelo advogado responsável.

Base científica — CRP Art. 32.º; CPP Arts. 119.º-126.º; CP Arts. 16.º-17.º, 31.º-39.º; in dubio pro reo.

Extração de ContradiçõesIA

Compara declarações/depoimentos: contradições objectivas em datas, horas e quantias; análise de credibilidade por declaração (detalhe sensorial, discurso direto, hedging, distanciamento).

Base científica — CBCA (19 critérios, Steller & Köhnken 1989); SVA/Undeutsch; Reality Monitoring (Johnson & Raye, 1981); SCAN (Sapir, 1987).

Limitações — a CBCA avalia características do relato, não constitui detector de mentira; valoração final nos termos do CPP Art. 127.º.

Timeline LegalIA

Reconstitui a cronologia factual do processo: eventos datados, relevância jurídica, prazos de queixa e prescrição, padrões de reiteração/escalada e crime continuado.

Base científica — Crime Pattern Theory (Brantingham, 1984); CP Art. 30.º n.º 2; CPP Art. 115.º.

Relatório de Risco ForenseIA + SPJ

Avaliação estruturada de risco de violência com itens pontuados 0/1/2: historial, ameaças, armas, saúde mental, vulnerabilidade da vítima, incumprimentos judiciais. Detecta combinações de letalidade (arma + ameaças de morte em VRI).

Base científica — HCR-20 v3 (Douglas et al., 2013); SARA v3 (Kropp & Hart, 2015); Danger Assessment (Campbell, 2009 — OR≈5.4 para femicídio com arma); Lei 112/2009.

Limitações — scoring estruturado sem entrevista clínica; grau indiciário — requer avaliação pericial presencial (CPP Arts. 151.º-163.º).

Apoio à Pesquisa de JurisprudênciaIA

Enquadramento jurídico da matéria com fundamentos legais e estratégia baseada em precedentes. Política de integridade de citações: a plataforma proíbe a IA de inventar números de processo — na dúvida devolve lista vazia e orienta a pesquisa nas fontes oficiais (DGSI, ECLI, STJ). Antes de emitir um PDF, cada citação tem de ter uma URL HTTPS de fonte oficial confirmada pelo servidor; são aceites DGSI, CSM, STJ, Diário da República e Tribunal Constitucional. A confirmação fica registada com hora e expira ao fim de 24 horas, obrigando a nova verificação antes de uso em juízo.

Transcrição Literal ForenseIA (Whisper + Claude)

Transcreve áudio (até 25 MB) em formato forense: literal e integral, timestamps por fala, identificação de intervenientes, ruídos relevantes, relatório técnico de síntese.

Limitações — a diarização automática de locutores deve ser revista por perito; indisponível em Modo Privacidade (o áudio é processado pela OpenAI).

Forense Digital — 10+ ferramentas

Exame técnico de ficheiros e evidências: integridade, metadados, manipulação e correio eletrónico.

Análise de Imagem (ELA + EXIF)Algorítmico

Error Level Analysis, extração EXIF completa, GPS, entropia e deteção de software de edição.

Base científica — Krawetz (2007); entropia de Shannon (1948); Provos & Honeyman (2003) para indícios de esteganografia.

Análise de Documentos (PDF/Office)Algorítmico

Metadados, versões incrementais, macros (oletools), datas de criação/modificação e indícios de adulteração.

Análise de ÁudioAlgorítmico

Propriedades técnicas, metadados, espectro e indícios de edição/síntese.

Cabeçalhos de EmailIA + Algorítmico

Autenticação SPF/DKIM/DMARC, cadeia Received, divergência Reply-To (BEC), punycode/homógrafos IDN, typosquatting a marcas conhecidas e display-name spoofing.

Base científica — RFC 5322/7208/6376/7489; NIST SP 800-177r1; Unicode TR#36; distância de Levenshtein.

Interpretação — DMARC fail é prova técnica de spoofing (admissível — Lei 109/2009 Art. 3.º); "ausente" só por si não prova fraude.

Hashes, Magic Bytes, Strip e ComparaçãoAlgorítmico

Cálculo MD5/SHA-1/SHA-256, verificação de tipo real do ficheiro (magic bytes vs extensão), remoção segura de metadados e comparação binária de ficheiros.

Repositório de Evidências + Timeline ForenseAlgorítmico + IA

Registo de evidências com SHA-256 e âncora server-side; timeline de eventos com severidade, fonte e fiabilidade; análise de padrões (escalada de gravidade, aceleração de frequência — preditor de risco letal); exportação em relatórios periciais PDF.

OSINT — 10 ferramentas

Investigação em fontes abertas — todas algorítmicas (sem IA): IP e geolocalização, domínio/SSL, email (validade, breaches, presença social), telefone, username em dezenas de plataformas, Google dorks, carteiras crypto (BTC/ETH), histórico Wayback Machine.

Nota sobre OSINT: os resultados provêm de fontes públicas de terceiros e devem ser corroborados. A recolha OSINT para investigação privada deve respeitar o RGPD (minimização, finalidade) e não substitui diligências com autorização judicial quando legalmente exigidas.

Valor Probatório e Limitações Gerais

Leitura obrigatória para uso judicial. As análises do VigiForensic — com ou sem IA — têm natureza indiciária: identificam padrões e produzem pareceres técnicos fundamentados, mas não substituem o exame pericial presencial por perito habilitado (CPP Arts. 151.º-163.º). A prova pericial é apreciada segundo o princípio da livre apreciação (CPP Art. 127.º). Conteúdo gerado com IA deve ser sempre validado criticamente: factos, artigos legais e conclusões. Os relatórios PDF documentam a metodologia e as limitações de cada análise precisamente para permitir o contraditório.
Proteção de dados (RGPD): os módulos IA transmitem os dados introduzidos à Anthropic (EUA) mediante consentimento explícito — em alternativa, o Modo Privacidade processa tudo internamente sem IA. É vedada a introdução de matéria sob segredo de justiça ou dados de terceiros sem fundamento de licitude. Decisões automatizadas com efeitos significativos exigem revisão humana (RGPD Art. 22.º).