Quando alguém testemunha algo incomum, a forma como esse testemunho é recolhido pode fazer toda a diferença entre informação fiável e informação contaminada. No GIFO, aplicamos entrevista cognitiva, uma técnica desenvolvida originalmente para investigação criminal e validada por décadas de investigação em psicologia forense.
O Problema da Memória Reconstrutiva
A memória humana não funciona como uma gravação de vídeo. É reconstrutiva, cada vez que recordamos um evento, reconstruímos ativamente a memória com base no que sabemos, esperamos e, inadvertidamente, no que nos é sugerido. Uma pergunta mal formulada pode alterar permanentemente a memória de uma testemunha.
Os estudos de Elizabeth Loftus (1974-presente) demonstraram que simples alterações de vocabulário numa questão, "o quão rápido iam os carros quando chocaram" versus "quando tocaram", produzem estimativas de velocidade significativamente diferentes. O mesmo princípio aplica-se a qualquer tipo de testemunho, incluindo avistamentos de ocorrências com causa indeterminada.
Os Quatro Princípios da Entrevista Cognitiva
1. Reinstauração do Contexto Mental
Pedimos à testemunha que reconstrua mentalmente o contexto completo do evento, onde estava, o que estava a fazer, as condições atmosféricas, o seu estado emocional e físico, os sons e cheiros presentes. Este processo ativa redes de memória associativas que de outra forma permanecem inacessíveis.
2. Relato Livre e Completo
A testemunha descreve o evento sem qualquer interrupção. O investigador não questiona, não reage visivelmente, não confirma nem desconfirma nenhuma parte do relato. Este relato livre produz a versão mais pura da memória da testemunha, antes de qualquer influência externa.
3. Questões Abertas e Não-Diretivas
Após o relato livre, as questões seguem uma hierarquia estrita: abertas primeiro ("Diga-me mais sobre a luz que viu"), depois específicas e neutras ("Como descreveria a cor?"), e apenas em último recurso fechadas. Nunca sugestivas. Nunca com opções incorporadas na pergunta.
4. Recuperação Variada e Multiperspetivada
Pedimos à testemunha que reconte o evento em ordem inversa cronológica, do ponto de vista de outra pessoa que poderia ter estado presente, ou focando apenas um sentido de cada vez. Cada perspetiva ativa diferentes redes de memória e pode revelar detalhes que o relato linear não captou.
A entrevista cognitiva foi desenvolvida pelos psicólogos Ronald Fisher e Edward Geiselman para o FBI em 1984, com base em investigação experimental sobre os mecanismos da memória humana. Estudos de campo demonstraram consistentemente que a técnica aumenta em 35-45% a quantidade de informação precisa recuperada, sem aumentar a taxa de erros, ao contrário dos métodos tradicionais de interrogatório.
Adaptação ao Contexto de ocorrências com causa indeterminada
No contexto de avistamentos de fenómenos anómalos, existe um risco adicional: o investigador pode inconscientemente sinalizar o que "espera" ouvir, contaminando o testemunho com as suas próprias expectativas. O GIFO treina especificamente para neutralidade, não reagimos mais a "era claramente uma nave espacial" do que a "era provavelmente um satélite". A nossa função durante a recolha do testemunho é exclusivamente recuperar informação, não avaliá-la.
Utilizamos também documentação estruturada em tempo real, cada resposta é registada palavra por palavra, incluindo hesitações, auto-correções e expressões de incerteza da testemunha, que frequentemente contêm informação analiticamente valiosa.
Protocolo GIFO de Entrevista Cognitiva
O protocolo de entrevista cognitiva do GIFO é baseado nas diretrizes de Fisher & Geiselman (1992), adaptadas por investigação posterior em psicologia forense (Memon et al., 2010; Powell et al., 2016). Todas as entrevistas são gravadas com consentimento e transcritas integralmente. Os ficheiros são armazenados de forma segura e o acesso é restrito aos investigadores do caso. A identidade das testemunhas é protegida em todos os documentos publicados. Ref. Protocolo GIFO-EC-01 · Versão 1.0 · 2026.