Sinistro de Incêndio
em Armazém Industrial
Cenário ilustrativo do método GIFO — narrativa com dados anonimizados que representa o processo de investigação de um sinistro com causa indeterminada: eliminação de quatro hipóteses convencionais e relatório técnico em 11 dias úteis. Não identifica nenhuma seguradora, cliente ou localização.
Processo parado há 6 semanas sem origem estabelecida
A seguradora tinha em mãos um processo com danos avaliados em valor significativo, sem causa de incêndio determinada. O auto da GNR registava "origem indeterminada". A peritagem interna da seguradora descartou falha elétrica mas não identificou causa alternativa.
Sem causa estabelecida, o processo não podia ser encerrado. A seguradora precisava de um relatório forense independente com metodologia explícita e conclusão classificada, utilizável como fundamento técnico da decisão.
Do primeiro contacto ao relatório formal
Contacto, briefing e análise documental prévia
Reunião de briefing com o perito da seguradora. Análise do auto da GNR, fotografias do local e relatório da peritagem interna. Identificação das hipóteses convencionais por testar: falha elétrica (descartada), combustão espontânea de materiais armazenados, ignição acidental por terceiros, ignição intencional.
O briefing revelou uma inconsistência relevante: o padrão de queima descrito no auto da GNR era inconsistente com a localização dos materiais mais inflamáveis do armazém. Este pormenor abriu uma hipótese que a investigação anterior não considerara.
Visita ao local e recolha forense
Deslocação ao armazém. Registo fotográfico sistemático do padrão de queima com cadeia de custódia documentada. Recolha de amostras de resíduo para análise de padrão de propagação. Análise do sistema CCTV, verificação de integridade das gravações e extração do segmento relevante.
A análise do padrão de queima indicava dois focos distintos, separados por 4 metros, sem trajectória de propagação entre eles. Este padrão é inconsistente com incêndio de origem única acidental.
Protocolo UNODC com três testemunhas
Entrevistas cognitivas com o segurança nocturno, o responsável de armazém e um trabalhador que esteve no local nas 6 horas anteriores ao incêndio. Protocolo Fisher & Geiselman (1992), reinstauração do contexto mental, reporte livre, questionamento não sugestivo.
O segurança nocturno, no reporte livre, mencionou ter visto "uma luz breve" junto à zona secundária do incêndio cerca de 40 minutos antes de ativar o alarme. Este detalhe não constava do relato inicial prestado à GNR, surgiu apenas com a técnica de reinstauração de contexto.
Cruzamento com fontes externas e teste de hipóteses
Correlação com dados meteorológicos IPMA, descartada combustão espontânea por temperatura e humidade relativa registadas. Análise forense das gravações CCTV com verificação de hash SHA-256 para cadeia de custódia. Teste sistemático das quatro hipóteses iniciais.
ELIMINADA, Falha elétrica: já descartada pela peritagem interna. Confirmado pelo GIFO, não há instalação elétrica na zona do foco secundário.
ELIMINADA, Combustão espontânea: dados IPMA descartam condições necessárias. Temperatura e humidade inconsistentes com o fenómeno.
ELIMINADA, Ignição acidental por terceiros: gravações CCTV autenticadas não registam presença humana não autorizada no período relevante.
NÃO ELIMINADA, Ignição intencional: dois focos distintos, testemunho de luz não explicada, padrão de queima inconsistente com origem única. Hipótese classificada como Causa Indeterminada com indicadores de ignição intencional.
Elaboração e entrega do relatório técnico formal
Relatório técnico com 28 páginas: metodologia explícita passo a passo, evidências documentadas com referência a cadeia de custódia, transcrições dos testemunhos codificados, hipóteses testadas e resultado de cada teste, conclusão classificada e recomendações.
A reunião de diagnóstico não tem encargos.
Se tem um sinistro com causa indeterminada ou um processo em aberto, o GIFO avalia o caso sem compromisso e apresenta proposta formal em 48 horas úteis.