Em Portugal, os ramos Não Vida registaram um crescimento de 9,2% no primeiro trimestre de 2026, com particular destaque para o ramo Automóvel e o ramo Incêndio. Por trás destes números estão milhares de processos de sinistros que chegam às seguradoras todos os anos. Uma parte significativa desses processos tem algo em comum: a causa permanece indeterminada após a investigação inicial.

Quando a origem de um incêndio não é estabelecida, quando um acidente de viação não encontra explicação mecânica convencional, ou quando danos em propriedade surgem sem causa aparente identificável, o processo de seguro fica em aberto. É aqui que a investigação forense independente tem um papel específico e concreto.

O Problema da Causa Indeterminada

A investigação de sinistros pelas seguradoras segue protocolos estabelecidos para as categorias mais comuns: acidente de viação com culpa atribuída, incêndio de origem elétrica ou comportamental, inundação por mau tempo. Mas quando a ocorrência não se encaixa num padrão convencional, o processo pode arrastar-se durante meses ou anos sem resolução.

Exemplos concretos que chegam regularmente ao GIFO:

  • Incêndios em que a origem não é identificada pela investigação policial e a seguradora não consegue fechar o processo
  • Acidentes de viação em que o veículo apresenta danos inconsistentes com a dinâmica declarada
  • Danos em instalações industriais com padrão irregular sem fonte identificável
  • Falhas em equipamentos ou sistemas sem causa mecânica ou elétrica estabelecida

A GNR dispõe de Núcleos de Investigação de Crimes em Acidentes de Viação (NICAV) com competência técnica especializada. Mas a sua intervenção está condicionada à existência de crime e à disponibilidade operacional. Nos casos em que não há inquérito criminal, a investigação independente é a única opção para seguradoras e particulares.

A Metodologia GIFO Aplicada a Sinistros

O GIFO aplica aos sinistros com causa indeterminada o mesmo protocolo forense de cinco fases utilizado na investigação de ocorrências anómalas: recolha e análise de evidências físicas, entrevistas cognitivas a testemunhas, correlação com dados externos, revisão independente e relatório técnico formal.

A entrevista cognitiva, baseada no protocolo UNODC (Fisher & Geiselman, 1992), é particularmente relevante em sinistros. Testemunhas de acidentes ou incêndios retêm frequentemente detalhes que não surgem no relato espontâneo inicial. A técnica de reinstauração do contexto mental, aplicada de forma não sugestiva, recupera informação precisamente sobre elementos físicos e sequenciais que têm valor forense direto.

O Relatório Forense como Ferramenta de Processo

O produto final do GIFO para sinistros é um relatório técnico forense que inclui: metodologia aplicada, evidências recolhidas e analisadas, testemunhos tratados segundo protocolo, hipóteses convencionais testadas e eliminadas ou confirmadas, e conclusão classificada. Este documento é formalmente utilizável em processo de seguro e, quando aplicável, em apoio técnico em contexto de litígio.

O Tribunal da Relação de Évora reconheceu que "um relatório de reconstituição do acidente de viação constitui um parecer opinativo sobre o modo como o acidente terá ocorrido", o que estabelece a relevância de relatórios técnicos independentes como o GIFO no contexto judicial português.

Posição Técnica

Investigação Forense Independente em Sinistros

O GIFO está disponível para colaborar com seguradoras, peritos judiciais e particulares na investigação de sinistros com causa indeterminada. A nossa metodologia forense estruturada e documentada, baseada em protocolos UNODC, NASA e AARO, é aplicável a qualquer ocorrência cujo padrão de evidências não encontre explicação convencional. Contacto: geral@gifo.pt